Seu deus não disse pra você odiar as pessoas

Não fale do seu deus como se ele fosse meu também. Não profira suas crenças religiosas como se fossem a verdade absoluta e nem as use como se fossem argumentos irrefutáveis. Não utilize a bíblia como referência bibliográfica e como se fosse um livro que contém todas as verdades porque ela pode talvez ser isso pra você, mas não é a tal verdade absoluta, bem como é sagrada pra ti apenas. Como posso ter como “sagrado” um livro que é a gênese de diversos preconceitos estúpidos e retrógrados. Inclusive, na minha perspectiva as religiões cristãs são o verdadeiro portal para o passado, a força motriz do retrocesso e da limitação das pessoas em serem mais humanas. O que é bastante contraditório, pois apesar de eu ser uma crítica convicta dessas religiões, não sou leiga e sei que muito do que é pregado nas igrejas por aí vão totalmente na contra mão do que prega a figura do próprio Cristo, tenho sido ele real ou não. Esse inclusive é outro problema, as igrejas acabam por se preocupar em materializar os fatos bíblicos por uma perspectiva literal e completamente rasa e acaba por deixar em segundo plano as lições que a crença cristã traz, que por muitas vezes são bonitas, porém os fiéis estão mais preocupados em reproduzir hábitos e costumes de uma sociedade que viveu há mais de dois mil anos atrás (porque é isso que a bíblia conta, a história de civilizações primitivas) do que pegar esses ensinamentos e adaptá-los à contemporaneidade e ajudar a fazer desse suposto “deus do amor” uma ferramenta efetivamente inclusiva, empática e que siga de fato aquele tal mandamento: “amar o próximo como a ti mesmo”, independente de como seja esse próximo. O problema é que muita gente tem mais fé na bíblia, que é um livro dos homens, do que no seu próprio deus.

Aqui no meu bairro o que mais tem é gente pseudo-religiosa, e, quanto mais dentro da igreja essa criatura parece ficar, mais intensa é a postura preconceituosa em relação à pessoas como eu. Não deveria ser as igrejas um espaço para a elevação espiritual e consequentemente um lugar de promoção de seres humanos mais amáveis e compreensíveis. Pois é, por aqui só vejo fábricas de ódio ao que é diferente, em especial quando se tratam dessas religiões neopentecostais.

Fazendo uso da minha sinceridade costumeira, acredito sim que se tivéssemos uma população predominantemente ateia nosso país estaria muito melhor, as pessoas seriam melhores e tudo estaria bem mais tranquilo, sem moralismos e conservadorismos que só existem pra promover atraso e complicar as coisas. Esse texto é sim uma crítica às religiões cristãs porque pra mim está mais do que claro que elas são um atraso e o berço de muitos dos problemas culturais que permeiam nossa sociedade, mas não é em nenhum momento uma crítica pessoal à você que frequenta essas igrejas, muito pelo contrário, é um convite à reflexão fora dos preceitos e do status de “verdade absoluta” que sua crença impõe pra você. É importante lembrar que igrejas e religiões são feitas por pessoas, logo são passíveis de erros, e, na minha perspectiva estão errando muito mais do que acertando e seria legal você que se considera “crente” de alguma forma ter um olhar mais sensível pra essas questões.

Espero de verdade que esses dogmas religiosos um dia parem de pregar que somos diferentes e pregue mais nossas semelhanças, pois independente de como é cada um, todos somos humanos e queremos as mesmas coisas básicas, que são amor, respeito e não nos sentirmos discriminados e excluídos.

É necessário parar de olhar pra cima e começar a olhar para o lado.

Beijos de luz.

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